Blog do Haisem


De olho na telona

Sexta-feira é dia de renovar as dicas de cinema. Depois de uma semana cheia de notícias cinematográficas, a dúvida é saber se a vida imita a arte ou se é o contrário, mas vamos lá.

Uma boa pedida é a série DURO DE AUMENTAR. Comece pelo primeiro filme da saga e tenha paciência até chegar ao qüinquagésimo quinto. A história mostra a explosiva vida de um aposentado à espera de um reajuste no benefício. O vilão é um tal de salário mínimo. É pequenininho, mas faz grandes estragos.

Outro sucesso que vale a pena ver é A UM PASSO DA ETERNIDADE. Na trama, um sujeito tem uma dívida para receber do governo e vê a vida passar, passar e passar. A cena em que ele deixa a herança para o neto, ainda na barriga da mãe, é capaz de provocar soluços.

Também vale ver ou rever o clássico NUNCA FUI SANTO. Um senador cassado após cometer irregularidades é substituído por outro com centenas de processos nas costas. Mas, quando o homem chega ao novo local de trabalho, descobre ser um anjinho perto de uma turma que é do barulho.

E para fechar, uma dica para quem quer dar boas gargalhadas sem compromisso. Você com certeza vai achar muita graça ao ver a comédia QUANTO MAIS IDIOTA, MELHOR. Os atores parecem ser gente como a gente.



Escrito por Haisem Abaki às 11h13
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Chega de fricote

Uma notícia que chega de Brasília mostra a preocupação governamental e parlamentar com as contas públicas de sul a norte.

Com a desculpa de preservar tudo de bom que é feito ao povo com essas verbas, aprovaram uma proposta de calote.

Quem tem os chamados precatórios para receber já entendeu o mote.

Vai ter que esperar muito mais e torcer para não morrer antes de chegar tamanha sorte.

Os eternos credores podem dar as mãos aos aposentados e pensionistas que não aguentam mais receber reajuste fracote.

Os coitados que já foram chamados de vagabundos por um presidente têm sabedoria, mas já perderam a paciência de velhote.

Depois de tantas esmolas é hora de guardar os nomes dos benfeitores e grudar no cangote.

Logo, logo os bondosos senhores vão aparecer todos solícitos, com carinha de mascote.

Aí, é só fazer dos homens cheios de boas intenções picote.

É o único jeito de tirar o pé da lama e mandar a vaca deles para o brejo: boicote.



Escrito por Haisem Abaki às 12h19
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Carregando nas tintas

Os saudosistas vão discordar, mas não há dúvida de que o futebol-arte está de volta. Pode não ser aquele do passado glorioso, mas é futebol-arte, sim senhor e senhora.

Quem não concorda, antes de reclamar, que olhe o colorido do atual Campeonato Brasileiro. É uma bela e acirrada disputa. Uma verdadeira pintura.

Hoje, por exemplo, é dia de um jogo sensacional entre dois tricolores, o Grêmio e o São Paulo. Não é preciso ser artista para fazer a experiência. Misturando verde e branco, a cor resultante é azul, preto e branco.

Esta também é a cor que fica após três outras misturas: vermelho e preto, preto e branco e até vermelho e branco, que é rival do azul, preto e branco.

No domingo, estarão frente a frente o Palmeiras e o Fluminense, um na ponta e o outro na rabeira da tabela. Aí, é só juntar preto, branco e vermelho para ver que fica vermelho, verde e branco. Também é possível obter essa cor com a junção de vermelho e preto ou preto e branco ou ainda vermelho e branco.

Não entendeu nada? O excesso de cores confundiu ainda mais a sua cabeça? Não tem problema. Na verdade, o segredo do novo futebol-arte não está na pintura, mas na secagem dela. Uma boa secada vale por mil palavras. Desse jeito, ninguém vai ver a cor da bola.



Escrito por Haisem Abaki às 11h52
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Momento de sobriedade

Um exemplo de sinceridade acaba de chegar dos Estados Unidos e deveria servir para todos nós. O gesto partiu de uma mulher de 49 anos que, com a consciência pesada, ligou para a polícia e avisou que estava cometendo um crime.

Ela preferiu a verdade, se declarou culpada e foi presa, sem cambalear em busca de desculpas esfarrapadas nem fazer cara de tonta para negar o que estava à vista de todos.

A quase honesta senhora não fez como um certo servidor público flagrado com dois milhões de reais na conta e que diz ser apenas um pobre coitado.

Nossa quase heroína também não fez como o político que troca favores por dinheiro e diz que é tudo intriga da oposição.

Esta quase santa não fez como o juiz que errou num lance e diz que sempre apitou com convicção e sem intenção de prejudicar ninguém.

Há muitos outros maus exemplos que poderiam ser citados aqui. O que deveria acontecer para que estes e tantos outros senhores pelo menos admitissem seus erros e tentassem melhorar uma gotinha que fosse?

Bom, em primeiro lugar teriam que encher a cara como fez a quase sóbria Mary Strey. Ela ligou para a polícia para avisar que estava dirigindo bêbada. Um brinde à verdade, ainda que com ressaca!



Escrito por Haisem Abaki às 11h44
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Futebol e balas

Como hoje é sexta-feira de feriadão prolongado, vamos dar mais algumas dicas de filmes para relaxar durante a folga. São todos do mesmo ator, que sempre tem atuações memoráveis.

A primeira é o clássico MEU PÓDIO SERÁ TUA HERANÇA. O filme conta a história de um técnico de futebol muito ranzinza, que reclama pelos cotovelos. O ponto alto é a cena em que ele faz cara de bravo até na hora de receber o troféu por mais uma conquista.

Ainda na linha Cult, outra boa pedida é ARDIDO COMO PIMENTA. No filme, um técnico de futebol que era vermelho vira verde e tenta ficar mais zen por um tempo. Ele se esforça, mas quando ouve perguntas que não gosta volta a dar declarações apimentadas.

Os amantes do cinema brucutu também têm vez na trajetória deste grande astro. Em O EXTERMINADOR DO PASSADO, ele ressurge em grande estilo depois de alguns fracassos e acaba de vez com os maus resultados. Com uma metralhadora de frases de efeito, o técnico atira para todos os lados, diz que não é burro e termina com uma declaração ameaçadora: “Hasta la vista, baby!”.

Escolha o programa, curta numa boa e desligue o celular. Se não for assim, O BINA não o deixará sossegado no cinema.  



Escrito por Haisem Abaki às 11h45
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Papéis trocados

Um shopping da cidade de Natal resolveu fazer uma promoção interessante. Nada de descontos mirabolantes, promessa de juro zero ou distribuição de brindes.

O negócio é entre os funcionários mesmo. Eles foram convidados a participar de um sorteio para trocar de papéis. Daí para gerente virar faxineiro foi um pulo.

Os organizadores dizem que o objetivo foi mostrar o potencial de cada um e fazer cada empregado conhecer um pouco das dificuldades do outro.

A iniciativa é muito boa e bem que poderia ser ampliada para outros setores. O sujeito que joga lixo na rua, por (mau) exemplo, poderia passar um dia com a vassoura na mão para deixar de ser sujão.

O pichador audacioso poderia passar um dia com água, sabão, escova e pincel na mão para aprender a não destruir o patrimônio público ou privado.

O aluno que  desrespeita o professor poderia passar um dia na frente da lousa, tentando ensinar gente desinteressada e mal-educada.

O político que mete a mão em verbinhas, auxílio-paletó, auxílio-moradia e passagens aéreas poderia passar um dia como catador de papelão que encontra um dinheirão e decide devolver tudo.

Não, pensando bem, é melhor não fazer esta última troca. Seria mais um papelão. As cuecas já não agüentam mais tanta esculhambação. As coitadas suportam caladas, mas qualquer dia desses vão colocar tudo para fora!



Escrito por Haisem Abaki às 10h39
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Ai, que medo!

Estamos vivendo dias tenebrosos e é preciso olhar com cuidado por onde se anda. Seres que gostam da escuridão estão à espreita e surgem de repente com seus dentes afiados, de olho em pescoços expostos e desavisados.

Quem pensa que isso é coisa da literatura e do cinema se engana. Eles estão mais perto do que podemos imaginar. Uma nova infestação está acontecendo num lugar que é a alma da nação e onde só tem gente preocupada com o bem comum. Os terríveis chupins rondam o Senado à procura de novas vítimas.

Eles são muito discretos durante o dia, mas se revelam assim que o sol se põe. Aparecem lá pelas 18h30, sempre muito bem dispostos. Tem gente que não acredita, mas um senador jura que viu. O relato é aterrorizante: “Às seis e meia começa a chegar todo mundo, com cabelo molhado, ajeitado, e quando dá oito e meia, nove horas, vai todo mundo embora e ganha o salário do dia e a hora extra”.

O ambiente fica ainda mais pesado quando eles se juntam aos fantasmas que também deixam o dinheiro do contribuinte em maus lençóis. Mas nem tudo está perdido. Dois super-heróis, um bigodudo e outro que fala com a boca cheia, ameaçam os seres do mal.

Os fantasmas e vampiros nem vão dormir de dia de tanta comemoração. Eles dizem que super-heróis “no eczisten”.



Escrito por Haisem Abaki às 10h54
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Futebol se faz de conta

A matemática é uma ciência exata. Exata mesmo, sem meio termo. Ou o sujeito é muito bom, ou então é um zero à esquerda. Por isso, muita gente torce o nariz para a danada. E às vezes espicha o olho para o lado na hora da prova.

Mas existe uma matemática que caiu na boca do povo: a do futebol. As contas mudam a cada rodada, numa sucessão de adições e subtrações. Todos fazem os cálculos e não chegam à raiz quadrada do problema porque há equações para todos os gostos e desgostos. Há hipóteses e hipotenusas para alimentar os sonhos de todas as torcidas, da cabeça ao pé da tabela do Campeonato Brasileiro.

O Palmeiras, por exemplo, que já teve mais de 70% de chances de ser campeão, agora está perto dos 40%. Não é um mau negócio, principalmente se o time se multiplicar no esforço e jogar bola ao quadrado, sem deixar o torcedor louco pra cateto.

No chulé da classificação, o Fluminense só aparece com 3% de um fio de esperança de escapar do rebaixamento. É pouco, mas é preciso acreditar até o último decimal, ainda que o desempenho seja ordinário.

É melhor fazer gols de cabeça do que contas de cabeça e lembrar que no jogo, ao contrário da matemática, sempre vale a pena chutar. A matemática é uma caixinha de surpresas e só acaba quando o juiz apita. Até lá, tudo deve ser um risco calculado. Noves fora, o que vale é a bola! Então, chega de faz-de-conta!



Escrito por Haisem Abaki às 12h00
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Uma vida no proscênio

Hoje é dia de falar de alguém que sempre se reinventa, que tem idade acima do que aparenta e que com belas palavras nos alenta.

Hoje é dia de falar de alguém que à nossa vida sempre acrescenta, que com firmeza os comentários apresenta e que tem um bom humor que arrebenta.

Hoje é dia de falar de alguém que sempre mantém a inspiração atenta, a vontade de trabalhar que jamais afugenta e uma sabedoria que a todos alimenta.

Hoje é dia de falar de alguém que sempre tem um gesto que a todos acalenta, um sorriso largo e que só aumenta e piadas carregadas de pimenta.

Hoje é dia de falar de alguém que uma voz forte sustenta, que analisa as mazelas políticas de forma opulenta e que sobre Fórmula 1 nos orienta.

Hoje é dia de falar de alguém que sempre presenteia os amigos com biscoitos distribuídos de maneira benta, que todos os dias traz uma sacola com banana suculenta e até oferece remedinhos para a dor que atormenta.

Mas qualquer coisa que se diga é menos do que ele merece pela história que ostenta. E para qualquer lado que se olhe a rima pede a lembrança de uma data que hoje se salienta. Parabéns, Salomão Ésper Oitenta! Ah, e quanto ao Corinthians, não esquenta!



Escrito por Haisem Abaki às 10h48
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Pagando pra ver

O fim-de-semana está chegando e nada melhor do que ver um filme, ainda que seja a reprise da reprise da reprise da reprise. Há ótimas dicas para todos os gostos.

Uma boa pedida é GASTARZINHO – O SENADORZINHO CAMARADA. É a história de um político astuto que tem uma missão implacável. Ele faz cara de mal e promete perseguir funcionários fantasmas. O problema é o final, absolutamente previsível. Mas vale pelo bigode do ator principal, que é muito engraçado.

Outra dica legal é TREZE HOMENS E NENHUM SEGREDO. O enredo mostra vereadores que se enrolam com doações suspeitas para a campanha eleitoral. Há uma cena tocante em que um deles faz cara de coitado, explica que está tudo dentro da lei e promete trabalhar ainda mais pelo povo. Quem assiste precisa se conter para não tirar um dinheirinho do bolso na hora.

E os amantes de suspense não podem deixar de ver ou rever A PROVA OCULTA. Larápios passam a mão num exame e prejudicam milhões de estudantes. Autoridades de plantão fazem cara brava, prometem medidas rigorosas de segurança e marcam uma nova avaliação gastando mais do que na primeira. A trama é tensa, mas a cena da prova na cueca é impagável.

Se você não gostou das dicas, vá de O PAGADOR DE PROMESSAS. A identificação será imediata.



Escrito por Haisem Abaki às 09h53
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