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Não dá mais pra segurar
Depois da operação caça-mijão deflagrada no Rio de Janeiro, o assunto deixou os cantinhos escondidos e veio à tona. O embate entre falta de educação e insuficiência de banheiros públicos, que sempre terminou empatado, está de volta. Sessenta e dois cariocas que se aliviaram durante os desfiles de blocos carnavalescos no último fim-de-semana foram parar em delegacias. O crime aparece no Código Penal como “ato obsceno”, com multa e detenção de três meses a um ano, mas a punição não é líquida e certa. Em São Paulo, a Rádio Bandeirantes foi às ruas para ver se o tema faz espuma como no Rio. Com os devidos cuidados, o repórter Francisco Prado constatou o esforço de gente que fica com a vassoura na mão. Na mira, estão os garis que precisam jorrar água e despejar cloro para limpar locais como o Estádio do Pacaembu, a Praça da Sé e o Cemitério do Araçá. Autoridades municipais desviaram da conversa e pediram um tempo, sem aperto, para verificar quantos banheiros públicos existem na cidade. Deve ser um número estratosférico, quase incalculável. É uma demora insuportável, que não dá mais pra segurar. Salve a iniciativa privada!
Escrito por Haisem Abaki às 11h34
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Fantasias da chuva
Vários blocos já saíram às ruas no último fim-de-semana, antecipando o Carnaval. Mas o principal deles já está desfilando há muito mais tempo, causando o maior alvoroço. O Bloco da Chuva chegou em dezembro e passou a se apresentar diariamente, num só arrastão. Todo mundo entrou na dança, até quem não gosta da folia. Várias fantasias estão por aí, pra todo mundo ver. Uma das mais concorridas é a de Aquaman. Tem também a de Pirata, Jangadeiro, Perdido na Ilha, Rainha das Águas, Mulher-Enxurrada, Porcalhão do Lixo e Chato de Galocha. Para os casais, as mais procuradas são as de Garrafinha PET e Boca de Lobo Entupida, um par perfeito. Já as crianças, preferem a de Peixinho e a de Marinheiro de Rua Alagada. Mas no quesito originalidade, ninguém supera o Homem-Piscinão. Os poucos adeptos dessa fantasia dizem que a cidade está preparada para a chuva. Dez! Nota dez!
Escrito por Haisem Abaki às 10h49
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Enxurrada de filmes
Chega ao fim mais uma semana acalorada, abafada, esquentada, cheia, alagada, ilhada, molhada e apagada. Para relaxar, aqui vão as já tradicionais dicas de filmes, se a falta de energia e o excesso de água deixarem. A primeira é A UM PASSO DA CALAMIDADE, que mostra um bairro onde os moradores estão alagados há quase dois meses. Cansados da situação, eles decidem que navegar é preciso, mas não embarcam mais em falsas promessas de solução do problema. Para quem gosta de muita ação, vale dar uma espiada no eletrizante DURO DE SECAR. Um grandalhão obstinado passa por uma série de aventuras ao tentar escapar de uma chuva torrencial. Outra boa pedida com diversão garantida para toda a família é o simpático O BICHO VAI MOLHAR. Animais dóceis e ferozes convivem pacificamente num zoológico até que um temporal afeta a vidinha deles. Os destaques são um elefante assustado com uma tromba d’água e uma girafa que bebe água em pé. E para fechar, uma dica especial é o clássico O CÉU PODE ESPERAR. Assista com fé, mas sem esquecer do guarda-chuva. O filme já faz sucesso entre aqueles que dizem que a cidade está preparada para a chuva, os chatos de galocha.
Escrito por Haisem Abaki às 10h37
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Notícias frescas
Ninguém aguenta mais esse calorão que está fazendo. O assunto surge em qualquer conversa e abafa os outros temas. É gente suando e se abanando pra todo o lado e o consumo de energia elétrica batendo recordes e mais recordes a cada dia. Para amenizar a quentura, o jeito é se refrescar com água, suco, sorvete. Mas algumas notícias que parecem quentes também podem trazer algum frescor, lembrando uma antiga brincadeira de criança. Nunca se investiu tanto no combate às enchentes e na recuperação de ruas esburacadas. Ih, tá frio, tá frio! O governo reduziu a mistura de álcool na gasolina para baixar o preço do produto. Tá frio ainda! Depois, resolveu cortar um imposto da gasolina para impedir que fique mais cara por causa da menor quantidade de álcool. Tá mais frio ainda! Parlamentares deeeeeeste país prometem votar até março o projeto que impede candidaturas de gente com ficha suja. Ih, esfriou de vez! Rigorosas investigações vão punir os envolvidos no escândalo do mensalão em Brasília. Ah, tá muuuuuuito frio! Os bens dos mensaleiros podem ser congelados para impedir novas negociatas. Tá frio demais, com tremedeira na cueca e na meia até! É melhor parar por aqui. Já deve ter gente batendo os dentes e dizendo: “Eu que-ro o ca-lor de vol-ta!”.
Escrito por Haisem Abaki às 12h06
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Energia para cobrar
Com as bênçãos da ANEEL, as distribuidoras de energia elétrica passaram a mão no bolso do consumidor nos últimos oito anos. Um erro de cálculo, coincidentemente a favor dos donos da luz, fez o eterno freguês pagar um bilhão de reais a mais por ano, desde 2002. Agora, nossas autoridades acesas resolveram dar uma mãozinha ao cliente e corrigir a tungada, que no futuro será menor. Foi uma decisão justa, mas cheia de dedos. Primeiro, com o indicador, os iluminados fizeram os cálculos e apontaram para a falha, sem querer querendo, na conta. Com o mindinho, houve uma tentativa de dizer que o problema era mínimo. Depois, com o vizinho, resolveram abrir mão dos anéis para ficar com os dedos intactos. A medida luminosa já está sendo comemorada com o polegar para cima. Mas ainda ficou faltando um dedo. O que fazer com ele? Decidiram usá-lo para explicar que a nova conta só vale daqui pra frente e que o que foi pago é passado e não será devolvido. Este, sim, é o pai de todos os ataques ao consumidor das trevas, um pagador de mão cheia. E de saco também!
Escrito por Haisem Abaki às 11h09
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O espetáculo voltou
Estamos vivendo um momento histórico, de renovação de esperanças e com promessas de muitas alegrias. Como é bom ver nossos grandes craques de volta e cheios de disposição! Eles estão com muita vontade de entrar em campo e mostrar que são insuperáveis na nobre arte de driblar, armar jogadas de efeito e ir com tudo para o ataque sem medo de pontapé ou cara feia. Já dá pra imaginar as maravilhas que vamos ver, com arrancadas fenomenais, chutes de potência máxima e pedaladas desconcertantes. Isso sem contar a retaguarda forte e atenta, sempre preparada para defesas indefensáveis e torpedos para afastar o perigo da área. Nossos ídolos reconhecidos mundialmente pela astúcia, pela ousadia e pelo jogo de cintura são bons filhos da Pátria que agora estão em casa novamente. Os grandes espetáculos já começam hoje e a torcida vai gritar numa única voz: “Ô, o deputado voltô” ou “Ô, o senador voltô”. Bom retorno ao trabalho, queridos parlamentares. E se a coisa complicar, bola pro mato porque é ano de renovar mandato!
Escrito por Haisem Abaki às 11h45
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Hora de se dar conta
Chegou o dia feliz de volta às aulas para milhões de estudantes e de pais cansados das férias. É mais um período de aprendizado, de novas experiências e grandes descobertas. Muitos serão apresentados às quatro operações, que vão carregar para toda a vida. A primeira delas, de somar, é muito importante. Um bom começo é pegar a mensalidade do ano passado e acrescentar alguns números para ver no que dá. A soma será fabulosa. Subtrair também é fundamental. Ninguém consegue viver sem isso e o ideal é aprender desde pequenininho. Um exercício legal é tirar do salário a mensalidade para ver quanto sobra. O resultado será de restos a pagar. Outra operação essencial é a de multiplicar. Uma ótima maneira de entender é olhar a lista de material escolar e fazer a conta vezes dois ou vezes três filhos. A conclusão é que outras prioridades vão perder a vez. E para fechar, dividir também é preciso. Um método infalível é fazer a divisão do custo da mensalidade e do material por dois, geralmente um pai e uma mãe. Mostrando o quociente, o aprendiz da casa pode ficar mais consciente. Mas a verdade é que não há operação capaz de calcular a felicidade de ter um filho na escola. É uma sensação de orgulho, alegria e esperança sem fim, ainda que uma vozinha diga: “Menos, pai, menos!”. É assim mesmo, a dupla pai-mãe não se dá conta de muita coisa. E sabe por quê? Porque sim!
Escrito por Haisem Abaki às 10h34
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Fazendo fita
Está terminando uma semana bem recheada e inundada de notícias e que deixou muita gente preocupada. Então, para relaxar, aqui vão as já tradicionais dicas de filmes. A primeira é O PECADO MORA AO LADO, que mostra a complicada e atrapalhada relação entre o locador e o inquilino de um apartamento. Cansado de ser alugado, o proprietário vê uma chance de se livrar do problema quando é aprovada uma nova lei do inquilinato. Outra boa pedida é o drama E O VENTO LEVOU. Agricultores perdem plantações de feijão numa tempestade e consumidores sofrem com a alta do preço. O enredo é meio arroz com feijão, mas ainda rende muito. Também vale dar uma espiada na exuberante produção A ILHA DA FANTASIA. Um governador e um grupo de deputados enfiam dinheiro por todos os cantos. Depois, procuram o senhor Roarke e o assistente dele, Tattoo, para pedir que tudo termine bem. O final é previsível, com meias e cuecas a salvo, mas vale pela naturalidade dos personagens. E para fechar, uma dica especial é o clássico infantil ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS. Só tome cuidado com as crianças. Elas podem olhar para o lado e dizer: bobinho!
Escrito por Haisem Abaki às 11h42
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Modelo exportação
O mundo começa a se render ao talento brasileiro e já tenta nos copiar. Nossos exemplos nos quesitos graça, originalidade e desenvoltura são inquestionáveis e causam admiração e inveja. A cada dia, surgem novas tentativas de fazer igual, mas por mais que insistam e que tenham vantagens econômicas e tecnológicas, ainda não conseguiram nos alcançar. Esse pessoal ouve as notícias e sai por aí achando que tem capacidade de agir do mesmo modo sem nenhuma vergonha nem cerimônia. Os despeitados acham que basta ter vontade e não entendem que só conquistamos tal reputação à custa de muito investimento, comprometimento, treinamento e uma boa dose de descaramento. Mas o lado bom dessa história é que o planeta finalmente começa a perceber que não somos apenas o país do futebol, o país do carnaval, o país das mulheres bonitas e o país das belezas naturais. Os gringos tentam nos imitar, mas não têm a mesma ginga. O último que se deu mal foi um alemão, preso na Nova Zelândia por fazer contrabando de 44 lagartixas na cueca. Os bichinhos estavam acondicionados numa pochete, coitados. O espertinho vai pagar multa equivalente a 6 mil e 400 reais e passar três meses e meio na cadeia. É o que dá ser amador e não um profissional de encantos mil, mil, mais mil e mais mil, até chegar aos milhões. Quem não tem competência que use a cueca como peça íntima, ora bolas!
Escrito por Haisem Abaki às 10h51
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Previsões líquidas e certas
As tempestades não param e a meteorologia avisa que novas tormentas estão por vir. Já são 35 dias seguidos de chuva em São Paulo. Chuva molhada mesmo, daquelas que alagam, ilham, e assustam, deixando rastros de destruição por todos os lados. Mas outros temporais estão desabando sobre nossas cabeças e não é preciso ser especialista para fazer novas previsões. Uma delas já está praticamente certa. Medidas em forma de relâmpago serão tomadas para combater as enchentes e vociferadas com voz de trovão. Nuvens de afirmações contra administrações anteriores também vão se acumular e despejar números mostrando que a cidade está sempre passando por serviços de limpeza em ações constantes e não passageiras, como chuva de verão. Outra profecia cientificamente comprovada: alguém vai chupar bala e jogar o papelzinho no chão, achando que isso não é nada, apenas uma garoa sem maiores consequências. Enxurradas de lixo vão ficar de saco cheio e se arrastar pelas ruas a caminho de famintas bocas de lobo. Todas essas previsões se confirmarão, mas se houver alguma falha basta jogar a culpa em alguém usando um aparelho de última tecnologia e que se renova há muitos anos: o “empurrômetro”. A chuva vai continuar caindo em pé e correndo deitada. É só sentar e esperar.
Escrito por Haisem Abaki às 11h54
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