Blog do Haisem


Surpreendido pelas costas

Começou “devagar, devagar, devagarinho”, como diria Martinho da Vila. Depois, foi “crescendo, crescendo, me absorvendo”, como diria Peninha. Uma leve dorzinha na parte baixa das costas, perigosamente perto de uma região estratégica.

De imediato, tomei uma decisão firme, de muita atitude, numa postura que sempre adoto quando o assunto é algum incômodo com a minha saúde. Resolvi não fazer nada.

Achei que era uma bobagem causada pela bagagem que havia carregado numa viagem de fim de semana e segui em frente, sem me preocupar com tanta rima. Parti para a minha corrida habitual levando as costas junto. Começou a chover e não me importei. A água desceu mais forte e não liguei. Só parei quando os pingos já entravam nos olhos.

Dormi mal e acordei com mais dor ainda. E aí, finalmente... Decidi não fazer nada de novo. No trabalho, o desconforto aumentava cada vez mais. Por telefone, alguém que me ama me mandou ir ao médico. Aceitei de livre e espontânea obrigatoriedade, com apenas uma condição: “Só vou se você for comigo...”.

Ela não podia e fui sozinho, menos pela dor e mais para provar que um menino de 46 anos (quase 47) já sabia fazer algumas coisas sem ajuda, como amarrar cadarços, por exemplo. Não, nem isso eu estava conseguindo. Ai!

Depois do exame clínico e da radiografia, o ortopedista apontou uma “lombalgia leve por prática desportiva”, receitou um antiinflamatório de nome Celebra (tomei, mas não celebrei porque detesto remédio) e me mandou para dez sessões de fisioterapia.

Em três dias, nada mais de dor. Pensei em dar de ombros para o tratamento, mas um simples olhar de alguém especial me fez ser um garoto obediente pra não ficar de castigo. Ela sempre me convence. Fui sozinho outra vez e pronto. Quase isso. Tá bom, levei minha filha e meu filho comigo alternadamente em algumas sessões.

Fui muito bem tratado. A série era bem simples, apenas com exercícios de alongamento, na base do estica e puxa. Foi um alívio, porque pensei que seria lavado, torcido, enxaguado, centrifugado e estendido no varal pra secar.

No primeiro dia, apareceu um fisioterapeuta muito gente boa, mas que não precisava ter exagerado. O rapaz explicou tudo direitinho e me deu total assistência. Ele acompanhou o meu desempenho,  foi um grande incentivador e fez perguntas, até que chegou um momento crucial. Foi um “Sentiu o bumbum esticar?”, seguido de um leve tapinha no mesmo. Respondi com um tímido balançar da cabeça em sinal de sim. Que pergunta amarga! Cara folgado! Depois, ainda disse pra eu avisar se sentisse dor para me dar “uns choquinhos”! Fiquei chocado! Ainda bem que não precisei.

Na segunda sessão, fui atendido por uma fisioterapeuta muito gente boa, que não exagerou em nada. A moça explicou tudo direitinho e me deu total assistência. Ela acompanhou o meu desempenho, foi uma grande incentivadora e fez perguntas, até que chegou um momento fenomenal. Foi um “Sentiu o bumbum esticar?”, seguido de um leve tapinha no mesmo. Respondi com um abundante balançar da cabeça em sinal de siiiiim. Que pergunta doce! Garota simpática! Depois, ainda disse pra eu avisar se sentisse dor para me dar “uns choquinhos”! Chocante! Pena que não precisei.

Estirado na maca, fui tomado por um pensamento. Como duas pessoas que fazem exatamente a mesma coisa no mesmo lugar podem ser tão diferentes? Ele, gentil, competente, prestativo, atencioso e preocupado com o meu bem-estar. Que coooooisa! Não precisava de tudo isso! Ela, gentil, competente, prestativa, atenciosa e preocupada com o meu bem-estar. Que graaaaaça! Na medida certa!

E teve mais! Ele, com muita paciência, me ensinou a levantar da maca (sempre de ladinho) e a abaixar corretamente para pegar alguma coisa no chão. Que abusado! Já ela, com muita paciência, me ensinou a levantar da maca (sempre de ladinho) e a abaixar corretamente para pegar alguma coisa no chão. Que doçura!

Acho que devemos tratar todo mundo da mesma maneira e sou um sujeito sempre grato por tudo que me fazem de bom. Então, a ele, deixo o meu gelado “muito obrigado”. A ela, o meu derretido “muito obrigado, mas muito obrigado mesmoô”!

Fiquei bom e fui liberado para retomar a atividade física aos poucos. Ah, e sobre os músculos glúteos, se estão esticados ou não, só tenho duas coisinhas a dizer. A primeira, é que me reservo o direito de ficar calado, rapaz. A segunda, é que estão, sim, mocinha.



Escrito por Haisem Abaki às 20h51
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