Blog do Haisem


Batendo um bolão

O fim de semana foi mais uma prova da nossa indiscutível superioridade no grande esporte nacional. Os adversários podem morrer de inveja porque não tem pra ninguém.

Alguns estão comemorando mais hoje, outros ficaram mais tristes, mas o fato é que todos são bons nisso, seja qual for o nome, a cor ou o escudo. Temos os melhores dribladores e ponto final.

É só prestar atenção nos lances para ver os nossos campeões. As imagens mostram a mais pura arte. Numa delas, um craque vai com tudo para o ataque, leva uma bolada na altura do bolso, mas não desiste e fica na cara do gol. Caixa!

Em outra grande armação, estratégias são combinadas e os passes e repasses são perfeitos, com endereço certo. Tudo minuciosamente calculado para todos saírem ganhando. Caixa!

A defesa também demonstra firmeza e não se abala com nada. Chega sempre junto, morde muito e ainda vai aos maços para o ataque, numa postura digna de nota, nota e mais nota. Caixa!

E quando a coisa aperta, surge a irreverente criatividade brasileira. A jogada da grana na meia foi sensacional. Caixa!

Esse time não perde nunca. E se alguém vier com olho gordo é só colocar um galhinho de arruda para atrair a sorte. Caixa!



Escrito por Haisem Abaki às 12h29
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Tela cheia

Chegou a sexta-feira, o dia de relaxar e curtir bons filmes para se desligar da dureza da semana e deixar de lado assuntos espinhosos que insistem em nos atormentar.

Uma boa dica é o suspense GASES INDOMÁVEIS. Na história, o líder de um país amazônico acusa os ricos de não fazerem nada para preservar o planeta. Os mais sensíveis precisam estar preparados para a cena em que ele mata a cobra e mostra... a cobra mesmo, dizendo que a coitada está mortinha, mas que o pau passa bem. É de embrulhar o estômago.

Outra produção imperdível é o aterrorizante INIMIGO ÍNTIMO. Um político enrolado em denúncias se livra de todas as acusações sem arrepiar o bigode, mas passa por maus bocados e sente um frio na barriga ao ser surpreendido por um daqueles vilões que parecem heróis e ganham a simpatia do público, um tal de Piriri.

Para os adeptos do riso fácil, a grande pedida é APAGADA DE MESTRE. Uma cidade maravilhosa fica às escuras enquanto autoridades pastelonas inventam explicações engraçadas. A sequência de uma guerra de contas de luz na cara do consumidor é óbvia, mas rende diarréias de gargalhadas.

Seja qual for a escolha, vale a pipoca e o cinéfilo vai ficar plenamente satisfeito com o efeito estufa. Só assim para dar um pé em assuntos que enchem a semana inteira.



Escrito por Haisem Abaki às 10h35
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Robô não é bobo

Os japoneses voltam a assombrar o mundo com as novidades de uma tradicional feira de robôs. A cada ano as invenções ficam mais avançadas e tornam a vida mais fácil, desde que se possa pagar por isso.

Já existe máquina pra tudo, indo de serviços domésticos ao auxílio a pessoas com mobilidade reduzida. Mas já surge uma ponta de preocupação no mercado de trabalho.

Em casa, serviços pesados são realizados sem reclamação, sem salário, sem previdência social, sem cansaço, sem dor de cabeça, sem horário.

Também está disponível o robô-garçom. O sujeitinho anota pedidos, limpa a mesa, serve, não chama ninguém de chefia e não sabe o que é gorjeta. 

Outro que faz sucesso é o robô-jogador de futebol. O craque dribla, passa, chuta, não reclama de treino, adora concentração e só joga por amor à camisa. E o melhor de tudo é que ele não diz “a gente vamos se esforçar pra reverter o placar no segundo tempo”.

Os investimentos não param e um dia, não custa sonhar, haverá o robô-político. Vai trabalhar sem parar, sem pedir votos, sem verbas polpudas, sem discursos longos, sem segundas, terceiras, quartas ou quintas intenções. O projeto está praticamente pronto, mas sumiu misteriosamente. Por favor, alguém robô???



Escrito por Haisem Abaki às 10h43
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Caminhão de impostos

Quem está sonhando com o carro novo acaba de receber um belo presente de Papai Noel. O imposto para os flex vai dar uma folga até março, depois do Carnaval. Para os caminhões, a benesse só acaba depois das festas juninas.

Mas se engana quem acha que o saco da arrecadação vai ficar vazio diante de tamanha bondade. O imposto continua acelerado, engatando uma quinta marcha.

A contagem de tudo que já foi pago neste ano a todos os níveis de poder deeeeeste país passa de 940 bilhões de reais. Quem tenta acompanhar a evolução dos números pela internet ou no painel eletrônico instalado no centro de São Paulo fica tonto. Só dá pra registrar as duas primeiras casas porque “os mil”, “os reais” e “os centavos” viram muito rápido.

São tributos capazes de encher porta-malas, carrocerias, caçambas e bagageiros, mas ainda bem que toda essa dinheirama é devolvida a todos nós em bons serviços públicos prestados.

Por isso, encha o peito de orgulho e diga em bom Português: “Nóis capota, mais num breca!”.



Escrito por Haisem Abaki às 10h42
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Nada a temer

Quem nunca errou que atire a primeira pedra! Não julgues para não ser julgado! Errar é humano, perdoar é divino! Estas são algumas das frases preferidas nas sagradas escrituras do parlamento deeeeeste país.

Vinte e cinco deputados suspeitos de se desgarrar do rebanho para enfiar a mão onde não deviam podem receber penas alternativas dependendo do caso, talvez, quem sabe, sei lá, vamos ver, nem tanto, mais ou menos...

Nada de dente por dente ou olho por olho com a cassação de mandatos porque não foi tão grave assim. Foram só umas notas friazinhas para justificar gastos inerentes à tão nobre função.

Uma pequena penitência resolve o problema. Poderia começar com uma oração: “Contribuinte nosso que só leva chapéu, santificado seja o vosso bolso, venha a nós o vosso dinheiro, seja feita a nossa vontade, assim na verba como nas viagens de graça pelo céu. O bolão nosso de cada dia nos daí hoje, perdoai-nos as nossas expensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem enchido, e não nos deixeis cair em cassação, mas livrai-nos do pau. Amém”.

É só repetir 1-7-1 vezes para ganhar o perdão. Pelo que disse o todo-poderoso comandante do parlamento, não há o que temer!



Escrito por Haisem Abaki às 11h20
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Loucos por disfarces

O noticiário dos últimos dias mostra que é preciso tomar cuidado com gente disfarçada que anda por aí. Os camuflados estão à solta, às vezes com boas intenções, outras nem tanto.

Na região da 25 de Março, a polícia já avisa. Agentes descaracterizados estarão fantasiados para combater o comércio irregular e mãos leves que por lá circulam. Eles já estão assustadíssimos com a novidade. Não podem ver um Papai Noel dizer “ho, ho, ho” que já saem correndo, feito um bando de loucos.

Em Brasília, deputados com a reputação sob suspeita usaram outro disfarce novíssimo, nunca antes visto na história deste país. Apareceram com notas fiscais frias para justificar gastos de 15 mil reais por mês da verbinha indenizatória. Por enquanto, já são 25 enrolados que fazem cara de “eu não sabia”. Os coitados morrem de medo dos membros da implacável Corregedoria. Não podem vê-los que já saem correndo, feito um bando de loucos.

Mas os mais perigosos farsantes estão mais perto do que imaginamos e fazem carinhas de bonzinhos. Entre eles, estão tricolores e alviverdes vestidos de alvinegros. Todos correndo, feito um bando de loucos. Loucos por ti, Corinthians! Cuidado redobrado com esses caras! Nem todos são confiáveis como camelôs e deputados!



Escrito por Haisem Abaki às 10h50
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A Casa do Espanto

Raios, trovões, ventos e temporais ainda caem sobre nossas cabeças como explicações, suspeitas e suposições para o blecaute da noite de 10 de novembro.

Na principal casa de leis deeeeeeste país, a oposição inconformada, que entende bem de apagão, decidiu chamar médiuns da Fundação Cacique Cobra Coral para dar luz ao tema.

Já tem gente criticando, mas não é o caso. Os paranormais podem ir sem medo à Casa do Espanto, tomando apenas alguns cuidados. O primeiro é ficar de olho nos fantasmas que rondam o lugar em busca de salários penados.

Também é preciso manter o pescoço bem protegido e levar um dente de alho para afugentar os vampiros do dinheiro público. Depoimentos só devem ser dados em dia claro, antes do crepúsculo.

Outra cautela que se faz necessária é evitar sessões às quintas-feiras, ainda mais se for noite de lua cheia, lua nova, lua minguante ou lua crescente. Uivos aterrorizantes ecoam pelos corredores e todo mundo corre para o aeroporto.

Mas o mais importante é que os integrantes da Fundação Cacique Cobra Coral tenham na bagagem um gênero de primeira necessidade. Por favor, senhores, não deixem de levar soro antiofídico. Sem ele, o apagão pode ser fatal.



Escrito por Haisem Abaki às 11h46
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Um grande FP

Aposentados deste país comemoram o fim do FP (Fator Previdenciário), aprovado ontem na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Ainda é cedo porque o pedágio que abocanha uma parte da aposentadoria precisa ser avaliado em outras instâncias e pode se perder pela sigla.

Mas existe um fio de esperança aos batalhadores que já foram e ainda são FP (Força Produtiva). Eles pressionam para que os políticos tenham mais FP (Flexibilidade Parlamentar). É mais do que justo que quem trabalhou a vida toda tenha direito a um FP (Fundo Pecuniário).

Eles merecem reconhecimento e deveriam receber mais FP (Facilidade Permanente) e, depois de tanto trabalho, ter condições de possuir FP (Fartura Premiada).

Agora é só aguardar com FP (Firme Persistência), mas com cuidado para não gastar tamanha dinheirama com FP (Futilidades Passageiras). Os aposentados podem acreditar num belo FP (Futuro Próspero) graças a parlamentares bem-intencionados e cheios de FP (Fibra Poderosa). Em nome de quem já tem e ainda vai ter cabelos brancos, nossa eterna gratidão a esses grandes FP (Filhos da Pátria). E quem for contra será condenado a ser um eterno FP (Fora do Plenário)!



Escrito por Haisem Abaki às 11h01
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Efeitos devastadores

Dois assuntos elétricos e rodoviários dos últimos dias ainda não tiveram uma explicação conclusiva, mas já há um culpado. Sim, o mesmo malfeitor foi o responsável pelo apagão e pela queda de três vigas do Rodoanel.

Ele parece despretensioso, sem maldade, mas está sempre por trás de acontecimentos desse tipo. É até inofensivo e muito bem cotado na praça. Só que na verdade é um falso, com duas caras.

Apesar de causar estragos, é muito popular e querido, principalmente por crianças e bons velhinhos. Mas não nos deixemos enganar porque ele é danado e não deixa pedra sobre pedra.

Já passou da hora de nossas autoridades acabarem de vez com isso, proibindo uma prática tão perigosa. Vamos dar um basta às ações nefastas desse tal de efeito dominó. Ele precisa parar de sair por aí, derrubando tudo que encontra pela frente.

Se o espertinho tentar se esconder é só vigiar um parente para chegar ao destruidor. O efeito dominó não desgruda do efeito cascata. Um faz e o outro explica. Estão sempre juntos, para todos os efeitos. E para nós, bem-feito.



Escrito por Haisem Abaki às 12h52
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Apagão, câmeras, ação!

Depois de uma semana complicada, que teve até uma noite de trevas, chegamos à Sexta-Feira 13, dia de dar dicas de bons filmes para relaxar e recarregar as baterias, já que elas podem ser a salvação na escuridão.

A primeira é o clássico romântico HOUVE UMA VEZ UM APAGÃO. Na história, um garoto inexperiente se apaixona por uma mulher mais velha. A coisa vai indo até que, bem na hora da primeira aula prática, a luz acaba e o meninão grita “mãeeeeeeeeee” e põe tudo a perder.

Os amantes de suspense vão ficar sem fôlego com o contundente O SILÊNCIO DOS INCOMPETENTES. Tudo começa numa noite de tempestade, que resulta num apagão. Autoridades correm a procurar justificativas para a escuridão. O ponto alto do filme está nos efeitos especiais. Quem assiste jura que o temporal é de verdade mesmo.

E se der vontade de rir sem parar, a dica é a comédia TROVÃO TROPICAL. Musculosos machões andam armados até os dentes, mas se assustam ao ver raios e ouvir trovoadas. Aí, eles largam tudo e correm para acender velas.

Para os fãs de terror, uma boa pedida é a fantástica produção O MASSACRE DA CONTA ELÉTRICA, baseada em fatos reais. As cenas são de embrulhar o bolso.



Escrito por Haisem Abaki às 11h51
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